Os malucos que apostaram contra o sistema

Resenha do filme “A grande aposta” (The Big Short)

Faala, Pobre Mortal!

Hoje quero falar com você um pouco a respeito de um dos filmes que mais gosto sobre mercado financeiro. Já vi umas 10 vezes.

“The Big Short” (título original) retrata a crise do subprime de 2008 pela visão de uns poucos caras que enxergaram a falha e conseguiram fazer (muito) dinheiro com isso. E o melhor, de forma bem humorada, utilizando uma linguagem simples para explicar temas complexos, como você sabe que gosto de fazer.

 “Mas espera ai, como foi essa crise mesmo?”

Vou tentar resumir.

Cada vez mais, os bancos facilitavam o crédito para a população norte-americana. Qualquer pessoa conseguia comprar seu(s) imóvel(is), mesmo sem comprovação de renda. Produtos “lixos” eram oferecidos como garantias pelos bancos.

As agências de rating e órgãos reguladores faziam vista grossa com as grandes instituições (você já vai saber o motivo). Chegou a um ponto em que pessoas de classe média/baixa hipotecavam os imóveis que acabavam de adquirir via empréstimo, para comprar mais, na esperança de que a valorização destes imóveis pagassem os novos e ainda gerassem lucro.

E por que toda essa esperança de lucro?

Mesmo com todas as dificuldades de pagamento, mas com a confiança dos investidores nos títulos hipotecários, os agentes financeiros em questão começaram a comercializar pacotes de bonds “lixo” (mais propensos a calotes) junto com aqueles que tinham ratings altos (muita credibilidade), os famosos “triple A”.

Com o histórico de solidez e os títulos com altos ratings, as agências reguladoras não investigavam a fundo os procedimentos na montagem desses pacotes do “American Dream, o que abalou não somente Wall Street, mas toda a economia norte-americana e global.

A crise chegou quando existiam muito mais casas do que a população podia comprar, jogando o preço dos imóveis para baixo devido à baixa demanda. Ninguém mais conseguia pagar suas dívidas.

Isso afetou até mesmo o Lehman Brothers, na época, considerado uma das instituições financeiras mais sólidas do mundo. Sua quebra foi o estopim, e gerou um efeito cascata de falências de grandes e pequenas empresas, dos mais diversos setores, a nível global.

Milhões de pessoas desempregadas e desabrigadas.

Não preciso contar o resto, né?

Entendido o contexto? Então, bora.

O filme começa retratando o otimismo dos agentes bancários e corretores. Estavam todos fazendo muito dinheiro. “Afinal, quem não paga as hipotecas?”. E claro, a população mais pobre se aproveitando do crédito fácil para gastar como bem entendesse.

Como prever o que estava por vir?

Michael Burry, Mark Baum, Jared Vennett e Ben Rickert não só conseguiram, como lucraram alguns bilhões com isso (alguns nomes foram alterados das inspirações reais). Cada um representa um grupo de investidores distinto, com suas próprias peculiaridades. Poucas vezes na trama as histórias se cruzam.

Gosto muito do formato do filme. A todo momento, existem inserções onde o personagem principal fala diretamente com o espectador, para explicar o que está acontecendo, de uma maneira muito bem humorada. Ainda, para simplificar alguns termos técnicos, convidados famosos (como Margot Robbie) aparecem e usam analogias fazendo com que qualquer pessoa sem intimidade com o mercado financeiro consiga entender.

Olhando para trás, parece que era óbvio o que iria acontecer. Em uma cena, uma stripper conta que já possuía 5 casas e um apartamento (todos REfinanciados). Mas ninguém queria ver. Apostar contra algo que nunca aconteceu?

Podemos observar claramente dois conceitos criados por Nassim Taleb presentes no filme.

A crise de 2008, como ocorreu, se trata de um grande cisne negro (evento raro e improvável que, por isso, o mercado não consegue prever). Todos debochavam dos personagens quando estes queriam apostar contra os grandes bancos. Lehman Brothers, JP Morgan e Goldman Sachs falindo? Isso é impossível, já que nunca aconteceu, né?

E nada mais antifrágil do que uma estratégia de investimentos que se beneficie de uma das maiores crises globais que já aconteceram no mercado financeiro. A propósito, o autor foi um dos que alertou para o colapso financeiro global, antes da queda do Lehman Brothers.

Gostou da minha recomendação? Aposto que sim. Deu até vontade de ver de novo.

Diversas vezes, o filme mostra o conflito em alguns protagonistas. Afinal, eles estavam apostando na crise que deixaria milhões desabrigados! Então, me conta lá no meu insta: você conseguiria torcer para a quebra do sistema, visando o próprio lucro?

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